ESPETÁCULO TEATRAL POBRES DE MARRÉ
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Escrito por Pobres de Marré às 15h45
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Competir ou competir?

Fortaleza, Ceará | Quarta-Feira | 19 de Setembro de 2007

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"POBRES DE MARRÉ", do Rio Grande do Norte, trouxe de volta a Guaramiranga as atrizes Quitéria Kelly e Titina Medeiros (Foto: CHICO GADELHA/DIVULGAÇÃO)

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Festival de Teatro de Guaramiranga inaugura novo formato, sobrepondo a reflexão à velha idéia de competição


O assunto é um só. Por enquanto, artistas e espectadores reunidos para o XIV Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga ainda estão sob o impacto da mudança de formato da mostra. Trocando em miúdos: era uma vez a competição. Nesta mais recente edição, o Festival de Guaramiranga experimenta a estréia da seleção de espetáculos através de curadorias espalhadas por todos os estados nordestinos para compor a programação principal.

A chamada Mostra Nordeste – formada, agora em 2007, por nove montagens – expõe um recorte interessante do panorama regional. Em cena, ressalta os principais nortes criativos do recente teatro nordestino. Nos bastidores, faz sobressair de forma bastante expressiva as principais dificuldades de produção compartilhadas pelos artistas locais. Em seus 14 anos de vida, o Festival de Teatro de Guaramiranga tornou-se referência. É fato. O Nordeste faz questão de ocupar esse palco. A novidade é que, a partir desta edição, a participação no evento ganhou novos critérios, além de apontar, também, para novas respostas.

Todas as companhias selecionadas recebem cachê fixo de R$ 4 mil. Não há mais o frisson da disputa pelos prêmios. Há, sim, a possibilidade de um envolvimento maior entre os artistas e, principalmente, deles com a cidade. Até o próximo dia 22, quando a pequena Guaramiranga dá adeus a mais essa edição do festival, cada uma das trupes escolhidas a Mostra Nordeste realizam atividades paralelas, como oficinas e grupos de trabalho.

Antes e depois

Vindo do Rio Grande do Norte, o Grupo Carmin pode falar com autoridade da nova feição assumida pelo Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga. Classificada para a Mostra Nordeste, a peça “Pobres de Marré” reúne duas atrizes velhas conhecidas do evento. Titina Medeiros, por exemplo, participa do festival pela terceira vez. Em 2004, fazia parte do elenco de “Muito barulho por nada”. Um ano depois, já numa parceria com Quitéria Kelly, trouxe a Guaramiranga o espetáculo “Barra/Shopping”.

Para Titina Medeiros, independente da questão da competição, o Festival de Teatro de Guaramiranga representa um momento de grande aprendizado. “Não falo só de teatro, não. Aqui, a gente vê como uma política pública para a cultura bem executada pode contribuir para o desenvolvido social. Hoje, Guaramiranga tem condições de receber espetáculos que não chegam a muitas capitais do Nordeste. Uma cidade pequena, que naturalmente ficaria de fora do circuito cultural, hoje é estratégica para toda uma região”, argumenta a atriz.

Já Quitéria Kelly acredita que o fim do caráter competitivo potencializa a vocação tradicional do Festival de Guaramiranga. Segundo ela, “uma articulação regional, a possibilidade de fazer contatos e circular internamente”. “Antes, a integração maior dos grupos ficava prejudicada por conta da pressão da competição. É involuntário. Quando o formato da mostra é competitivo, isso acaba gerando um certo conflito e também muita expectativa por conta dos prêmios. Agora, o foco é outro. Arte não é só gostar ou não gostar, ganhar ou não ganhar. O artista tem outras necessidades”, avalia.

“Antes, muita gente que se inscrevia para o Festival de Guaramiranga já vinha com interesse no prêmio, porque os grupos precisavam cobrir os custos. Em 2005, pagamos o transporte do elenco e do cenário ‘Barra/Shopping’ com um prêmio que ganhamos”, completa Titina Medeiros. Por isso, a atriz é convicta de que o festival mudou para melhor. “O desafio agora é aperfeiçoar.

A mostra deixou de lado um dos pontos que mais a prejudicavam e manteve o que era mais interessante, como os debates com profissionais especializados, mas só o tempo é que vai dizer como deve ser o festival”, argumenta.



Escrito por Pobres de Marré às 10h35
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  Crítica de Alex de Souza para o site www.nominuto.com

Os invisíveis

 
 
matyeu Duvignaud
Neste fim de semana, o natalense tem mais uma chance de conferir o espetáculo Pobres de Marré, em curta temporada na Casa da Ribeira. Depois, Titina Medeiros e Quitéria Kelly embarcam para Guaramiranga, no Ceará, para o Festival de Teatro, onde apresentam o espetáculo.

No palco, elas se transformam em Maria e Dasdô. E transformação é mesmo a palavra, se levarmos em conta que as moças estão quase irreconhecíveis na pele das duas moradoras de rua. O rosto de Quitéria é uma máscara expressiva, derramando angústia e desilusão sobre a platéia. Titina me lembrou e muito algumas pessoas com o juízo meio baleado com quem já convivi.

As personagens são pessoas duplamente invisíveis: além de integrarem o que os marxistas chamam de lúmpen proletariado, aqueles indivíduos totalmente à margem da sociedade por estarem fora das forças produtivas, Maria e Dasdô também são loucas de pedra.

A comparação com Samuel Beckett é inevitável, mesmo que involuntária. Foi o que comentamos eu e meu pai, na saída do teatro. Para mim é positiva, afinal melhor dialogar com um grande do que falar besteira sozinho. Potiguares fudidas e mal pagas, Maria e Dasdô não esperam Godot - apenas um emprego ou uma carona de um carroceiro para uma casa que não existe.

De repente, abrir os bolsos e sair de casa para ver pessoas a quem, mesmo sem perceber (ou exatamente por não percebermos), nunca damos a atenção, causou em mim uma sensação diferente do resto da platéia. Enquanto muita gente rachava o bico de rir com situações encenadas, me senti constrangido em achar graça naquilo tudo. Em perceber como pode ser tênue a linha que separa aquelas pessoas de nós. Porque, por mais que o abismo social possa ser evitado, resta o abismo da loucura, esse mais imprevisível e assustador.



Escrito por Pobres de Marré às 10h08
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  CURTA TEMPORADA NA CASA DA RIBEIRA

Pra quem não assistiu ainda.

POBRES DE MARRÉ NA CASA DA RIBEIRA em curta temporada.

Dias 27,28 e 29 de JULHO e 03,04 e 05 de AGOSTO.

Sempre ÀS 20 HORAS.

Info. 3211-7710



Escrito por Pobres de Marré às 21h05
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Agenda POBRES DE MARRÉ

DIA 05/07 NA CASA DA RIBEIRA, ÀS 21 HS. DENTRO DA PROGRAMAÇÃO DO FEST EM CENA.

PEQUENA TEMPORADA TAMBÉM NA CASA DA RIBEIRA

DIAS 27,28 E 29 DE JULHO E 03,04 E 05 DE AGOSTO.

É isso aí, esperamos todos.



Escrito por Pobres de Marré às 17h43
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Hoje o jornalista Sebastião Vicente nos fez essa bela surpresa. Publicou em seu blog (www.sopaodotiao.zip.net) uma crítica de nosso espetáculo POBRES DE MARRÉ. Compartilho com vocês o nosso presente de hoje.

 

 

"Pobres de marré"

Quem vê os olhos arregalados de Titina e a figura desenxabida de Quitéria nas fotos de divulgação de “Pobres de marré” corre o risco de imaginar que a peça é um libelo. Que o texto vai pegar pesado na crítica da desigualdade, que a interpretação vai cutucar ressentimentos de classe, que a montagem pretende se valer da onda geral de falsa correção política que batiza a hipocrisia geral brasileira para dar seu recado indignado. Foi o que eu pensei. Enganei-me redondamente. Não é nada disso.  É muito melhor.

“Pobres de marré” fica no registro das pequenas mazelas que colorem ou branco-e-preteiam a sobrevida dos moradores de rua. Na verdade, toda a circunstância econômica-histórico-política que serve de pano de fundo à existência do desvalido que vive nas ruas está presente. Mas é só como subtexto que o espectador já leva consigo ao entrar no teatro. A montagem se vale disso mas para acrescentar, tirando a abordagem do que poderia resvalar para um panfleto e jogando suas parcas (e muitas vezes poéticas) luzes para a busca do registro humano por trás da evidência social.

Isso quer dizer que “Pobres de marre” prefere contemplar a autocomiseração defensiva presente na pobreza extrema do que teorizar sobre ela. Que a encenação valoriza mais o enlevo romântico deformado da catadora de lixo do que a dissertação sobre a cadeia econômica que faz com que essa pessoa exista.  E assim por diante, sempre na perspectiva de reproduzir a maneira como uma realidade acachapante de uma chaga brasileira constrói pequenos vícios, minúsculos sonhos e expectativas caducas em duas criaturas pobres de fazer pena. 

Formalmente, isso é feito em duas abordagens, pode-se dizer, paralelas. Há uma partitura cênica que puxa para a comédia, que Quitéria Kelly sustenta com o pé das costas, e uma anotação de caráter mais dramático, que se vale da sensibilidade de Titina Medeiros em conferir vida a uma criatura no limite da inocência. Aqui e ali, as duas correntes contradizem a condição de paralelas e se encontram, para logo em seguida se separar. No caso de Quiitéria, há o risco de levar a personagem para o figurino fácil que consagrou uma Gorete Milagres, tanto pelo apelo cômico quando pela semelhança de tipo físico das duas atrizes. Basta lembrar a cena em que ela se recupera instantaneamente de uma falsa fratura depois de uma queda. No caso de Titina, há um potencial de acrescentar cada vez mais ao espetáculo um caráter nem cômico nem dramático, mas fortemente lírico . Basta lembrar toda a cena em que a catadora de lixo se imagina casada, aguardando um marido inexistente chegar em casa.

Por último, uma observação de espectador esporádico e diletante do teatro feito em Natal mais recentemente.  Destacou-se na cidade nos últimos anos o trabalho e a iniciativa, inclusive empresarial, do grupo Clowns de Shakespeare, campeão de audiência com montagens como “Muito barulho por quase nada” e “Roda Chico”. O que essa turma fez pelo teatro da cidade tem um valor incalculável: eles deram aos seus espetáculos um tratamento cênico que agradou – pode-se dizer até que formou – um público geral. Com os Clowns, o pessoal do teatro em Natal passou a fazer espetáculos menos auto-referentes e mais dispostos a construir uma bilheteria constante. Para conseguir isso, produziu uma dramaturgia de comunicação mais imediata, certeira, que foi direto ao alvo.

Com “Pobres de marré”, Titina e Quitéria começam a fugir um pouco desse formato.  Não totalmente – e prova disso é que a porção comédia do texto muitas vezes soterra  o lado lírico e dramático da encenação. A platéia ri muito ao assistir à peça. Parece que aquele público geral formado à sombra dos Clowns acostumou-se a um teatro de consumo ligeiro, ainda que de excelente qualidade. E já é hora de submeter a esse mesmo público consolidado um cardápio menos digestivo, com um teatro que vá além do programa dominical noturno.  “Pobres de marre” aponta para esse caminho, caso a progressão natural da montagem vá paulatinamente sinalizando mais para as sombras da situação de Maria e Dasdô do que para as luzes cômicas que a dupla igualmente inspira. 

 

 

*Sebastião Vicente é potiguar mas hoje mora em Brasília e trabalha na TV Câmara.

 



Escrito por Pobres de Marré às 16h12
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  EXTRA! EXTRA!

POBRES DE MARRÉ

DIAS 9 E 10 (SÁBADO E DOMINGO)

CASA DA RIBEIRA

20 Hs.

INFO. 3211-7710

 



Escrito por Pobres de Marré às 01h50
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  PRA QUEM NÃO VIU

AGENDA POBRES DE MARRÉ

  • 31/05 e 16/06 - NATAL FEST EM CENA - CASA DA RIBEIRA - 20 horas.  Ingressos a R$ 3,00. Info: 3211-7710
  • 02/06 - CONCHA ACÚSTICA DO PARQUE DAS DUNAS - 16h30min.   Ingressos a R$ 1,00 (Pela entrada no Parque)

 

 



Escrito por Pobres de Marré às 19h18
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  Cena de Pobres de Marré.

Maria e Dasdô.

você já esbarrou com elas na rua?



Escrito por Pobres de Marré às 14h21
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  Matéria publicada no jornal Diario de Natal em 11/04/2007

A visível miséria urbana

Arquivo/Henrique Fontes
Ao fundo estão as atrizes Quitéria Kelly e Titina Medeiros que interpretam Maria e Dasdô

Uma ferida social, que já foi discutida e rediscutida, e que muitas vezes os integrantes dessa mesma sociedade insistem em escondê-la com um curativo, mal feito, para não serem obrigados a enxergar o sangue escorrendo. Embora seja um enredo forte e recorrente, três atores potiguares conseguiram transformar o tema ‘‘moradores de rua’’, em uma comédia. ‘‘Venho dizendo que é uma comédia sobre o que a gente não deveria rir’’, comenta Henrique Fontes, autor do texto e o diretor da peça Pobre de Marré, que estréia hoje na Casa da Ribeira, às 20h, ficando em cartaz até a próxima sexta-feira.

Em cena o público encontrará Maria e Dasdô, personagens vividos pelas atrizes Titina Medeiros e Quitéria Kelly e também concebidos por elas, em companhia de Henrique Fontes, a partir de observações e um trabalho de pesquisa junto aos moradores de rua de Natal. O nascimento de Maria e Dasdô foi em 2002, quando os três montaram o espetáculo Dos Prazeres, dos pedaços, que se passava no edifício Maria dos Prazeres, inspirado no edifício Bila, na Ribeira. ‘‘As cenas se passavam dentro do prédio, e essa cena específica era vivida no latão de lixo em frente ao prédio’’, conta Henrique que também dirigiu tal espetáculo.

Desde então as atrizes, e o próprio diretor, tinham vontade de resgatar os personagens. O espetáculo que estréia hoje teve como célula a cena na calçada do edifício Maria dos Prazeres, mas foi ganhando novos elementos a partir da pesquisa de campo realizada pelas atrizes. ‘‘Elas iam para rua, na volta faziam improvisos na sala de ensaio, sob a minha observação. Então eu ia para casa e construía as cenas e os textos. Assim foi elaborado o espetáculo, que ainda está em processos de construção, como todo teatro autoral, mas que agora vai ganhar mais um elemento, o público’’, diz o diretor.

Durante o processo de pesquisa, as atrizes e o diretor perceberam que existe um tipo peculiar de morador de rua, ‘‘eles estão entre os pobres que ganham um salário de miséria e os mendigos. São pessoas que vivem na rua e não pedem, têm uma certa dignidade, um certo orgulho. Vivem de doações espontâneas ou do acham no meio da rua. Eles, em sua maioria, também apresentam distúrbios mentais’’, conta Fontes. ‘‘São pessoas invisíveis, invisíveis porque nós não queremos ver. Eles não têm voz na sociedade. O trabalhador assalariado tem o seu espaço, o mendigo se faz presente na vida da gente porque ele pede, e muitas vezes incomoda as pessoas. Mas esses anônimos moradores não aparecem. Foi isso que nos levou a fazer um espetáculo sobre eles, embora o tema seja óbvio, não existe nada de concreto que seja feito por eles. O espetáculo é uma espécie de crítica social, sem ter um discurso panfletário’’.

Henrique lembra que esses moradores estão espalhados por todos os bairros da cidade, muitos acreditam que têm casa, pois vivem em um universo só deles. Isso é retratado na peça, uma das personagens afirma ter casa e empregada, embora todos os dias se acomode pela rua mesmo. Foram quatro meses de pesquisa de campo e construção dos personagens, ‘‘nenhum personagem é cópia de um morador de rua. Quitéria e Titina construíram os personagens a partir das observações delas’’, afirma.

Depois dos três dias de encenação, o espetáculo será apresentado durante o Fest em Cena, festival de teatro promovida na própria Casa da Ribeira, em junho. Em seguida eles pretendem fazer uma temporada maior



Escrito por Pobres de Marré às 17h49
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POBRES DE MARRÉ é:

Elenco: Quitéria Kelly e Titina Medeiros

Texto e direção: Henrique Fontes

Cenografia: Mathieu Duvignaud

Iluminação: Anderson Ricardo



Escrito por Pobres de Marré às 10h11
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  POBRES DE MARRÉ.. estréia dias 11, 12 e 13 na Casa da Ribeira.

 

Assim poderíamos rapidamente descrever as duas personagens da peça Pobres de Marré. Novo espetáculo escrito e dirigido por Henrique Fontes que tem no elenco as atrizes Quitéria Kelly e Titina Medeiros.

Pobres de Marré foi construída a partir de uma pesquisa de rua feita pelas atrizes e de conversas escutadas por Henrique desde 2002, quando uma cena foi criada para integrar o espetáculo "Dos Prazeres dos Pedaços."

Na busca desses maravilhosos anônimos que povoam as ruas de Natal e do Brasil, as atrizes e o diretor descobriram que há um outro tipo de morador de rua. Mendigo talvez não seja a melhor discrição para este tipo que ganha vida no palco através das personagens Maria e Dasdô, pois elas não pedem. Elas buscam.

Há uma classe de moradores de rua que está entre os que ganham salários de fome e os miseráveis. Estes andarilhos das calçadas e becos se alimentam da compaixão alheia e da graça que um certo distúrbio mental lhes confere.

Quando olhamos com cuidado podemos vê-los por toda a cidade. Às vezes se confundem com guardadores de carro, ou com os pedintes, mas não, eles não pedem. Vivem do que encontram ou recebem espontaneamente.

Em cena, as personagens construídas por Titina e Quitéria são como uma combinação de muitas dessas personalidades anônimas. Elas nos levam ao riso pelo absurdo de suas conversa, mas também nos comovem pela vida simples e ética que levam.



Escrito por Pobres de Marré às 23h40
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Maria revira o lixo todos os dias procurando comida, ou dinheiro ou a própria vida.

Dasdô perdeu muita coisa nos seus quase cinqüenta anos, menos a dignidade..

Maria acredita que um dia sairá da rua. Sua procura de tonel em tonel é por emprego.

Dasdô quer encontrar a cura para sua doença imaginária,

 mas o posto só abre na segunda agora..

 

 



Escrito por Pobres de Marré às 13h13
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Maria e Dasdô são indigentes, desses que se amontoam aos montes nas beiras do Brasil. Gente brasileira. Filhos dessa terra que não tem sido gentil. Gente que olha o mundo com olhos de espanto, como se realidade e fantasia fosse uma só. Realidade que delira.



Escrito por pobresdemarre às 07h50
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